Dia 17 de março completaram-se oito anos do falecimento de Marco Antonio de Souza (sem o ^ mesmo - ele brigava muito se errassem nisso), e eu nem me dei ao trabalho de fazer um post em homenagem. Quase um mês depois, o erro é devidamente corrigido. O cara merece.
Além de produzir e executar o primeiro curta-metragem em animação da história do cinema catarinense, foi sócio-fundador das empresas Graphit e Mercado Sul (hoje unificadas na Mercado) e idealizador de diversas campanhas publicitarias de sucesso, como "Mudanças Mõnica" e "Qualidade BESC".
E principalmente, é mais do que responsável (é , bem dizer, culpado) pela existência do autor egocêntrico e saudosista deste blogue.
Sexta-feira, caminhando pelo centro (ou melhor, correndo, pois o horário de visitas do hospital era até as quatro e eu ainda precisava passar no banco), passo em frente ao Bob's e encontro um Shao barbado e bêbado que grita por mim à distância: "Ei! Olha lá meu sóóócio!"
O indivíduo não dizia coisa com coisa, só repetia que tinha ficado rico da noite pro dia e não sabia mais o que fazer com o dinheiro.
- Tenho R$34.608,56 no banco. Tinha trinta e cinco... mas eu bebi.
Contou também que quando vivia duro, não arrumava emprego. Agora que nadava na bufunfa tinha arrumado um emprego de segurança a vinte e cinco mangos por noite. Eu não saberia dizer se ele reclamava ou fazia piada.
- Ah... Comprei um bar pra gente. Paguei 15 mil, mas valeu a pena... O bar é lindo.
Não deu pra perguntar muito mais sobre o assunto pois me faltava tempo e a Célia já me puxava pelo braço. Prometi passar por ali mais tarde ("Se eu não tiver aqui, tô no boteco do lado" - disse ele), mas os planos não colaboraram.
Sábado à noite, depois da terceira tequila, uma loira desconhecida me cutuca e aponta pra cima. Eis que em cima de uma plataforma estava um shao (sóbrio, dessa vez) engravatado e com o crachá da FMX.
- Eu ia inclusive te ligar pra convidar pra vir pra cá.
- É mesmo?
- É, mas não tive pouco tempo. De qualquer modo, nem precisei. (risos)
- Depois tenho que falar contigo.
- Eu também. E ainda quero saber como diabos tu gahou 50 mil de uma hora pra outra.
- Anh? Até tu já tá sabendo? Quem foi que te contou?
- Tu mesmo, rapaz! No meio da bebedeira de sexta!
- Ah é?
E nada mais foi muito bem explicado.
Pra quem não sabe (a exemplo do Averon), o ser vermelho e amarelo ali de baixo com uma bola a la Mysterio na cabeça chama-se Homem-Lua, e é um personagem criado por Gedeone Malagola. A princípio, ele deveria estrelar revista própria, tendo histórias do personagem Raio Negro completando a revista. Mas o comandante da FAB trajando uniforme preto e botas amarelas acabou caindo mais no gosto do editor (e também, depois, do público) e se tornou o grande astro da revista. E Homem-Lua ficou com as histórias "preenche-miolo".
Mas nem por isso perde mérito. O Homem-Lua era um misto de Batman e Fantasma e, apesar de muitas vezes ser comparado ao americano Mysterio, foi criado muitos anos antes do famoso inimigo do Homem-Aranha. O Homem-Lua era um ser-humano normal, super inteligente e bem treinado, um detetive especializado nas mais precisas artes marciais e dotado dos mais variados recursos para combater os criminosos. Cercado de lendas e misticismo, ninguém jamais soube sua verdadeira identidade (nem mesmo os leitores).
Minha mãe vai precisar ser internada, e eu estou com um mau pressentimento. Péssimo, aliás. A última vez que senti algo do gênero ela quase morreu. Tenho um mau pressentimento sobre o mau pressentimento.