Diálogos memoráveis da história humana

Capítulo I - Eu e meu sogro

- Bonito, hein? Passaram a tarde toda na cama.
- É domingo, seu Irandy.
- E daí que é domingo? Vocês só dormem, parece que não sabem fazer outra coisa! O que vocês esperam da vida?
- Eu, pelo menos, espero poder dormir até a hora que eu quiser nos domingos.

Capítulo II - Eu, Averon e Taylor

Taylor: Cara, eu acho um desperdício quando eu vejo isso!
Zunto: O quê? As lésbicas ali?
Taylor: Fala baixo!
Zunto: Ué! Qual o problema?
Taylor: Problema nenhum! Quer dizer... Se eu tiver no meio, tudo bem!
Zunto: Rapaz, tu é muito estereotipado, sabia?
Taylor: Ei! eu só falei que acho um desperdício. Não que tenho preconceito, nem...
Zunto: Tu sabe por acaso o que é ser estereotipado? Não te xinguei, só falei que tu segue um estereótipo! Sabe o que significa estereótipo?
Taylor: Er... Olha... Eu acho que eu sei. Mas de repente o significado que eu penso é diferente do teu...
(Averon disfarça os risos)
Zunto: Estereótipo é uma característica que várias pessoas seguem igual. Ou melhor, um conjunto de características pelas quais você define um grupo de pessoas...
Averon: Um modelo!
Zunto: Isso! Um modelo! Um modelo de comportamento, por exemplo. Estereotipado é quem segue o mesmo modelo que um monte de gente. Segue um estereótipo.
(Taylor faz cara de desentendido)
Zunto: Tu, por exemplo, segue um estereótipo clássico: o do homem que não gosta de ver duas mulheres se atracando a não ser que ele esteja no meio. Conheço trocentos iguais a ti.
Taylor: Anh... Ah... Tá. Mas vê se eu não tô com a razão... Tu ia gostar de ver a tua namorada beijando outra mina?
Zunto: Peraí...
Taylor: Não mente! Eu sei que tu não ia gostar.
Zunto: Em primeiro lugar, é sabido que minha mulher não gosta dessas coisas.
Taylor: Tá! eu sei. Mas tu ia gostar?
Zunto: Não, não ia, óbvio. Assim como não ia gostar de ver ela beijando um cara!
Taylor: Viu!? Que que eu falei?
(Averon e Zunto tentam segurar o riso, com pouco sucesso)
Zunto: Tá bom, Taylor. Então digamos assim. Se você tivesse uma namorada, ia gostar de vê-la beijando outro cara?
Taylor: Claro que não!
Zunto: Então tua teoria é completamente furada!
Taylor: Ah! Tu não sabe discutir!
Averon: Claro que sabe! Ele só desvalidou o teu exemplo.
(Taylor tropeça nas palavras sem querer admitir que não entendeu)
Taylor: O que eu quero dizer, é que elas quebram o padrão!
Averon: Que padrão?
Taylor: O padrão natural, ué.
Zunto: E o que é natural pra você?
Taylor: Tu lê a bíblia? Fraquenta a igreja? Aposto que tu não é um cara religioso.
Zunto: Não sou mesmo.
Taylor: Tá. Nem eu.
(Averon cai na gargalhada)
Zunto: Qual o teu ponto então?
Taylor: A sociedade diz que tá errado.
Zunto: Aí é que tá. Sociedade. Moral e bons costumes. O antigo testamento foi escrito a quanto tempo? Cinco, seis mil anos?
Averon: Sei lá! Um monte!
Zunto: Pois então. Encontraram um homem pré-histórico, perfeitamente congelado, de catorze mil anos...
Taylor: Catorze milhões, tu quer dizer!
Zunto: Não, cuzão. Catorze mil mesmo.
Taylor: Ah, tá...
Zunto: E ele tinha esperma no ânus! E aposto que ele não lia a bíblia!
Averon: Tudo o que se diz "correto" é algo imposto pela sociedade.
Zunto: Isso! Tu só usa roupas porque a sociedade te diz que é errado passear por aí peladão. Vamos falar de animais, então. Animais lêem a bíblia?
Taylor: Anh... não...
Zunto: Pois é. Eles não têm um comportamento influenciado por uma sociedade. É tudo puro instinto.
Averon: Golfinho faz até sexo oral. é um bicho muito safado.
Zunto: Golfinho faz até orgia! Já foi comprovado que até leão dá o rabo! E tu vem me flar de "natural"?
Taylor: Ah, vocês não sabem mesmo discutir! Aí tu já tá impondo a tua opinião!
Zunto: Não tô impondo nada...
Taylor: Tá sim! Tu tá impondo a tua opinião em cima das dos outros! Não quero mais discutir!
(Zunto e Averon permanecem calmos e impassíveis, apesar da vontade incrível de rolar pelas escadas rindo sem parar)
Zunto: Não, cara. Só te mostrei fatos.
Taylor: Fatos!? Que fatos? O do leão? Então tá!
Zunto: O fato do leão dar o rabo, o fato do golfinho fazer suruba, o fato do homem congelado ter esperma no ânus, o fato disso ter acontecido muito antes da bíblia ter sido escrita...
Taylor: Anh... Ah, tá...
Zunto: Não tem nada de errado em duas mulheres se beijando!
Taylor: Não. Eu concordo. Não tenho nada contra elas. Mesmo por que, eu adoro ficar com meninas lésbicas, já fiquei com várias.
Zunto: Então elas não eram lésbicas.
Taylor: Tá... Bissexuais, que seja. Quer dizer... Não! Teve uma que eu fiquei que era lésbica, mesmo. Só que ela quebrou o padrão dela, ficando comigo.
Zunto: Ah! Então ela tinha um padrão!
Taylor: Tinha, claro.
Zunto: Então aquelas duas ali podem perfeitamente ter um padrão, o de só ficar com mulheres, e não quererem quebrá-lo!
Taylor: Claro! Mas elas já devem ter ficado com homens.
Zunto: E por que?
Taylor: Ah... Por que senão como elas vão saber que só gostam de mulher?
Averon: Tu gosta de homem?
Taylor: Eu não! Credo!
Averon: Como tu sabe?
Taylor: Porque... Anh... Peraí! Tu é heterossexual?
Averon: Sou.
Taylor: E tu?
Zunto: Também.
Taylor: Então pronto! Acabou a discussão.
Zunto: Que seja...
Taylor: Mas que eu acho um desperdício...

Capítulo III - Eu e minha namorada

- Que filme é esse?
- Um filme de pancadaria chinês.
- É sobre o quê?
- Não faço a mínima idéia. Faz tempo que desisti de entender a história, e só tô curtindo os tiros e explosões.
- Ahn... Não tem nada melhor passando?
- Não. Esse filme é muito foda.
- Tá... Mas... E nos outros canais, o que tá passando?
- Sei lá. Mas desse filme eu não tiro. Tá vendo aquele cara? Ele é quase o Homem-Aranha! Ele faz milagres com aquela cordinha.
- Ah, tá...
- Agora a pouco aquele outro ali quase espancou um carinha com uma marreta. Sabe, aquelas de derrubar parede.
- Eles tão falando espanhol?
- É! Alguns deles falam espanhol, outros falam inglês, e uns poucos falam chinês.
- Tá... Eles são japoneses...
- Chineses.
- Tá... Chineses. Que falam espanhol.
- Isso.
- Por que?
- Por que eles são de Aracaju.
- Anh? Fala sério, Felipe.
- Não! Eu tô falando sério! Eles são de aracaju!
- Ai, Felipe. Tô te perguntando! Fala a verdade!
- Mas é verdade! Assim... Uma hora o carinha fala "tem essa praia, que fica na américa do sul e se chama... bom eu não sei como se chama". Aí mostra o mapa do Brasil, passando por um monte de praia, mostra Fortaleza, mostra sei lá mais que cidades, e aí aparece em vermelho: "aracaju". E pra não deixar dúvidas, aparece bem grande no meio da tela, "aracaju", e uns carinhas vestidos com roupa da swat no meio de uma tempestade, e um carinha falando no rádio "ventos de sei lá quantos quilômetros por hora", e só então eu percebi: ele falava em espanhol! E os carinhas da swat também!
- Ah, só... Tudo bem se eu voltar pro computador?
- Vai lá.

Blogue abandonado às traças. Talvez fosse bom postar alguma coisa antes que ele fosse invadido pelo MSB. Piada tosca. Não reparem.

* * *

Planos para o bar andam bem. Agora somos em três sócios. A meu ver, competentes e responsáveis. O grande problema é que ninguém tem conseguido ficar sóbrio o suficiente pra discutirmos o negócio com calma.

* * *

Amizades andam melhor ainda. É bom descobrir isso, que ao se isolar de muita gente, se afastar de certos grupos e círculos, aqueles que realmente importam não te abandonam. Nesses momentos você acaba descobrindo amigos que nem sabia que tinha. Ninguém me deu uma grande ajuda ou um grande conselho qu mudou a minha vida. Simplesmente por estarem lá, já se mostraram pessoas maravilhosas. Valeu, galera.

* * *

Assumi as finanças da casa. Foi bom pra ver que o negócio não é tão simples. Esse último mês gastamos de mês. Esse próximo vai ser com o cinto apertado.

* * *

Festinhas! Como não falar delas? Duas sextas atrás fomos na Lagoa, eu, Célia e Varda. Cervejinha gelada, som legal pra dançar, pessoas estranhas. Varda conseguiu a façanha de quebrar a cêmera digital durante uns malhos que deu. Célia ficou com ciúmes porque tirei muitas fotos de determinadas pessoas.
No dia seguinte foi dia de bebedeira na casa do Skayller. O Negão, mais pra lá do que pra cá, abraçava a garrafa de Johnnie Walker e elogiava o seu novo amigo "Reeed Labelll". A Mila, horrivelmente loira, contava histórias de abuso sexual e repetia várias vezes que seu pai era amigo do cônsul do Peru. Quase todos na festa a ignoravam. Miojo e Dinha deixaram eu e Céliaperto de casa. Nenhum dos dois conseguia caminhar muito bem. É divertido voltar a beber.
Segunda, dia de aula. Faltei à última para chegar no Ilhéu antes das dez. Varda reclamou do serviço a noite toda e ainda quis passar sermão no garçom antes de sairmos. Embaixo da nossa mesa havia um estoque com umas oito garrafas antes de fechar o horário da promoção (peça uma leve duas). Torrei uns quinze reais em salgadinhos no posto de gasolina. Mais uns vinte em cerveja. Varda não quis dormir aqui em casa e pagou a viagem pro Skayller dar uma de taxista.
Chegamos enfim à sexta-feira, última. Banco imobiliário e restos de bebida. Um pouquinho de uísque, um pouquinho de gim, um pouquinho de conhaque, um pouquinho de cachaça... Um pouquinho de tudo. Lili e Skayller trapacearam o jogo inteiro e monopolizaram o mercado.
No sábado, foi dia de Bafão. Me arrependo de não ter ido antes, apesar dos convites. Já cheguei em Blumenau completamente torto, cheio de hametomas por ter caído no ônibus, e fui inventar de fazer a barba no banheiro do Shopping. Pobre decisão. Só na segunda-feira fui reservar algum tempo pra deixar tudo mais, como posso dizer... reto!
Célia teve um ataque de ciúmes porque uma PDX estava dando em cima de mim. Quando conseguiu se acalmar, foi a vez da mesma garota avançar na Célia. Passou por trás dela, sutilmente, e meteu aquela mãozada no peito dela. Na pista, com todo mundo, me virei para a garota e disse:

- Se que tás ferrada, mas se tu meter a mão na minha mulher de novo, eu é que te meto a mão na cara.

Nossa. Violência, não? :)

* * *

E chegamos de volta à segunda-feira. Karine (a apixonada por Tatu que senta atrás de mim) me pediu pra ir com ela até o Bob's no recreio. Lá encontrei o Dalua, com vários anúncios debaixo do braço (Casas Bahia, Koerich, Kilar, etc) para pesquisar preços de geladeiras. Conversei muito com o cara, e resolvi matar a quarta aula pra continuar o papo. Quando pretendia voltar para a última, encontrei com o Robô no meio da rua. Num acesso de cafetão, abraçou a garota que estava com ele e ofereceu: "Essa é minha irmã! Tão afim? Só três pilas!"
Adivinhem quem era a garota? Dou uma dica de três letrinhas: PDX.

* * *

Acabei não indo à aula mais. Beberiquei umas cachaças na escadaria do Rosário e ri muito. Quando se aproximou de umas nove e meia, resolvi ligar pra Célia. A última vez que bebi com o mesmo pessoal, levei grande esporro por não tê-la chamado. Resolvi não arriscar e liguei:

- Célia? bota uma calça e vem pra escadaria.
- Porque?
- Tamo bebendo. Vem logo!

* * *

Parazitta só esperou a Célia chegar. Tinha de se mandar cedo. A Célia, aliás, chegou no meio de uma conversa meio constrangedora:

- Nem vem com essa! Eu comi quando ela já tava... Opa... Vamos mudar de assunto que minha mulher chegou.

* * *

Nesse dia ouvi falar de novo da Laura. Há tempos que eu não a vejo. Uma gordinha da Escola Técnica disse que já havia ouvido falar de mim. Logo quem contou... Comecei a narrar a lenda da "cartinha" (uma certa carta de amor que a Laura me entregou uns quinze minutos antes do Foca me contar que ele e o Daniel tinham feito sexo anal com ela no dia anterior), mas a gordinha já sabia de cor.
Aliás, pelo que ela diz, a Laura até hoje anda com uma cópia da mesma carta no bolso, pois sabe que a original eu joguei fora.
Vá ser obcecada assim na pqp...

* * *

Walério virou nerd. Agora usa mirc, brinca com o fotoshop e tem seu próprio fotolog. Cada um que entra no estúdio ele anuncia: "fotolog.net/tocha666! Porque eu sou malvado!"
Isso quando não está tomando tapa das meninas por fotografá-las desprivinidas.

* * *

Vamos falar de Cooperativa, então. Finalmente entrei nas negociações e a partir do próximo mês vou estar pagando minhas cotas. O número um deve sair até o fim do ano, e há uma possibilidade de ser lançado pela Ópera (apesar de estarem com o pé um pouco atrás pelo tema que escolhemos trabalhar: super-heróis).
Se eu conseguir convencer o Walério. Saio no número dois, com o "Galo Galáxico".

* * *

Além disso, estou trabalhando com o Erick num pré-roteiro para "Raio Negro & Velta". Deveria ser um grande crossover entre os dois personagens, mas pelo que foi dito até agora, estamos nos centrando mais na reapresentação do personagem de Gedeone Malagola, que não é publicado a muito tempo.
Claro que há o detalhe que não podemos viajar muito na maionese, já que o projeto depende da aprovação do Gedeone. Só no meio da minha rgumentação que fui me lembrar "putz! A Velta também faz parte da história!"

* * *

Alguns meses atrás, na cozinha aqui de casa, tive de ouvir minha mãe dizer:

- Nenhum dos meus filhos até hoje completou o segundo grau direito. Acho que eu nunca vou realizar o meu sonho de ver um filho se formando.

Pois bem. Minha formatura é dia vinte e um de dezembro. Com direito a culto, colação de grau e baile. Pra arrecadar a grana da festa, vou ter de vender rifa (eita!), mas já estou planejando outras saídas. Vou ter cerca de trinta convites pra distribuir. Grande notícia! Haviam nos dito antes que seriam dez.
Como disse o Mário, o bukowskiano que senta do meu lado e é a cara do Simoninha, pra alguns, formatura é como festinha de debutantes. Portanto, pra juntar o povo que quer formatura e o que só quer encher a cara, provavelmente devemos fazer um churrascão. O Afonso (coordenador) já se dispôs a pagar a birita.

* * *

Quinta-feira parece que rola Coda no CIC. Apesar dos convites constantes do Celinho (que toca na banda e é meu professor de inglês) pra que todos os alunos compareçam; temo não ter condições financeiras até lá. Uma pena. Brincando, Blumenau custau mais de setenta reais pra mim e pra Célia.

* * *

Aliás, o Celinho me conseguiu umas informações valorosas, como o preço de locação do CIC: dez mil. Esse tipo de informação será muito útil para o que planejo pro verão. Não que eu vá conseguir juntar grana pra jogar Wax Poetic no CIC, mas vale a pena tentar.
Ah... Já falei que o Wax Poetic vem ao Brasil? :)

Ilhan Ersahin pela Trama!

Quem me conhece a um bom tempo já deve ter ouvido falar da banda Wax Poetic, e em alguns casos, até da sua irmã mais nova, Love Trio. Ambas são criações do saxofonista e pianista Ilhan Ersahin, homem-multifuncional, dono de bar, sueco, e por grande coincidência, meu tio (além de um grande amigo).
Pras pessoas a quem apresentei a banda, foi paixão imediata. Muitos me perguntavam desesperados onde podiam comprar o Cd, o que era uma pena, já que os únicos que vinham para por esses lados eram os que o próprio Ilhan nos enviava.
A alguns meses o Ilhan me enviava notícias sobre o novo cd, como a participação de Norah Jones (que fez farte do Wax Poetic durante uns dois anos e inclusive faz participação em uma das faixas do primeiro disco) em duas faixas de autoria conjunta dela com o Ilhan. Eis que hoje recebo uma ótima notícia: Ilhan Ersahin chegou ao Brasil. Os discos de estréia tanto da Wax Poetic quanto da Love Trio (que eu tive o grande privilégio de ver ao vivo quando eles passaram por Floripa) acabam de serem lançados aqui pela Trama, e o Ilhan me noticiou isso com bastante alarde.
E até me ofereceu uma espécie de emprego :P
MUITO LEGAL! :P

Guerra de caixas de som

Um dos grandes desafios a quem tem bom gosto musical (ou pelo menos pensa isso de si mesmo) é suportar o gosto dos vizinhos. Principalmente os vizinhos com grandes caixas de som. Aquele seu vizinho de cima tem um dolby fucking digital mothafocka supersound 53.04 turbo e insiste em ouvir rap e pagode o dia todo, enquanto você se envergonha das suas duas caixinhas de som do lado do monitor. Isso acontece com vocês? Se acontece, é porque não conhecem o potencial de uma caixinha de som. A devida equalização + um quartinho pequeno + a música certa detona com qualquer vizinho pentelho.
Há várias opções nesses casos, mas ultimamente minha preferida tem sido Dark Beat (Murk Monster Mix), de Oscar G & Ralph Falcon. É tiro e queda. Acaba com o pagodeiro do andar de cima e com a sertaneja do prédio do lado.
Claro que, a longo prazo, fode com as suas caixinhas também.

Tá... Acho que isso prova que sou péssimo em greves. Um comentário vai ter que ser o suficiente.
Povinho parece que tem preguiça de digitar um mínimo "oi" que seja. O counter ali do lado vai subindo, subindo, e os comentários vão se tornando cada vez mais escassos. Das duas uma: ou o que escrevo é tão maravilhoso e bem construído, que ninguém consegue pensar em nada a acrescentar; ou eu só escrevo merda mesmo e ninguém mais se interessa. No caso, se for a segunda alternativa, por que diabos as pessoas continuam vindo aqui? Tenho certeza de que este blogue não têm tido o tipo de propaganda responsável por atrair novos leitores.

* * *

Acho que nunca escondi (ou se escondi, nunca o fiz com muita vontade) que não vou muito com a cara do meu cunhado. Não o Júnior. O Júnior é legal. Naqueles seus cento e oitenta e três centímetros desajeitados de altura há uma ingenuidade e uma doçura que torna quase impossível não gostar do cara. Os que o fazem, é por pura inveja.
Meu grande problema é com o namorado da minha irmã. Ou ex-namorado, ainda não se sabe. O senhor David, músico de quase-sucesso e muita sequela na cabeça. O Visconde de Sabugosa frequentou meu bar sem jamais ser capaz de me cumprimentar ou mesmo trocar uma ou duas palavras comigo, e de repente ele surge do nada, invadindo um território ainda mais íntimo para mim: a minha casa.
Já na primeira oportunidade que tive de conversar com o cara, deixei a antipatia natural que tinha por ele de lado, e (sem minha irmã saber - ela me mataria se soubesse disso), fiz questão de aconselhá-lo: era bom que ele desse muito valor à minha irmã, pois ele era mais feio e mais sequelado que eu; e eu, por exemplo, tinha certeza absoluta que nunca tiraria a sorte grande de ter uma mulher como a minha irmã. Ele tinha, e estava jogando fora. Chance como essa, ele nunca teria de novo.
Não sei se foi o conselho ou outra coisa, mas os dois se entenderam logo em seguida. Ele dormia mais aqui do que na casa dele, almoçava e tomava café com todos da família, e trouxe metade dos seus pertences pra cá. Bem dizer, se mudou para o quarto da minha irmã. Isso deve ter feito com que ele se sentisse meio "o homem da casa", pois logo já estava a bater as portas com raiva e sair fazendo escândalos pela rua enquanto minha irmã chorava no sofá da sala. Ou melhor. Fez isso uma única vez. No dia seguinte, sentados à mesa do café, conversamos eu e ele. Minha mão tremia, de ódio. Tinha vontade de espancá-lo com a cadeira da cozinha. Me segurei, tentei ser o menos agressivo possível (mas vocês devem entender que é muito difícil), e lhe disse que se esperava continuar sendo bem recebido nesta casa, um mínimo de respeito por mim, minha mãe e, principalmente, pela minha irmã; ele precisava ter. Bater portas no meio da madrugada, acordar minha mãe por causa dos gritos, e me forçar a ver a cena deprimente da minha irmã aos prantos ao lado do telefone; definitivamente não eram exemplos desse respeito. Nunca vi minha irmã engolindo tantos sapos por causa de alguém, principalmente por um namorado. E me fazia espumar de raiva o pensamento que ela se entrega assim tão completamente a alguém como ele, que não fazia por merecer essa dedicação.
Após essa nossa conversa, eles passaram a brigar na entrada do prédio, onde não incomodavam ninguém.
Perdendo novamente o tom e a linha conexa deste texto, e dirindo o narrador a você, ocasional leitor: isso seria motivo suficiente para não gostar do cara? Ou é simplesmente um sentimento não-coeso influenciado (e muito) por uma natural preocupação pela própria irmã? A resposta é complicada, mas bastante válida. Em primeiro lugar, não vejo por que esconder que nunca tive grandes afetos pela minha irmã. Por muitas vezes a acho egoísta, arrogante, e inclusive mesquinha. Ela tem um ar de superioridade e um talento para se provar sempre certa (mesmo, e principalmente, quando não está) com que poucos são capazes de lidar. Mas ela é minha irmã. E também tem seus momentos de fraqueza, onde ela precisa desesperadamente que alguém lhe estenda a mão, e ao invés de esperar, perdida, por essa ajuda, ela pede àqueles que mais lhe importam: nós, a família dela. É uma pessoa que não aceita de maneira alguma o meu jeito de ser (da mesma forma como não aceito o dela), mas o entende como ninguém. Por fim, é minha irmã, que me protegeu várias vezes e foi protegida tantas outras por mim, dividiu por duas décadas o mesmo teto que eu. E, por mais desprezível que fosse (graças a Deus não o é), ainda seria merecedora desse meu desejo de que esteja sempre bem.
Então, me delongando ainda mais neste texto desconexo e movido pela emoção confusa, dou-lhes um novo motivo para minha grande antipatia pelo personagem citado: apesar de tantos motivos que eu tinha para agredí-lo, e mesmo assim nunca o fiz; ele próprio tomou a iniciativa. Invadiu meu quarto, elevou a voz, acusou-me de uma falta que eu não havia cometido, e ainda ameaçou-me fisicamente. Nas suas palavras, me quebraria a cara dentro da minha própria casa, na frente de quem estivesse por perto. E poucos dias após quis fazer que nada havia acontecido e me cumprimentar como um bom e velho amigo. À merda com o desgraçado.
À merda com o desgraçado, que fez minha irmã de gato e sapato quando os dois foram morar em Belo Horizonte. Que fez minha irmã chorar de desespero e perder noites de sono porque o namorado havia sofrido um acidente com a moto. Que descontou nela a raiva que tinha por não poder andar e a acusava de inútil, quando esta tinha deixado de trabalhar para poder se dedicar às necessidades dele. Que se aproveitou de todo o amor dela quando ele mais precisava, e assim que pôs os pés no chão e voltou a andar e tocar, se desfez desse amor com a facilidade que se joga fora um pano de chão já muito gasto.
À merda com ele, que bebeu do carinho da minha mãe, comeu à minha mesa, se cobriu com os lençóis que eram meus, provou de uma intimidade com a minha irmã que antes só era reservada a mim, e não cumpriu a única exigência que lhe foi feita em troca de tudo que essa família lhe deu de bom grado: que cuidasse, e muito bem, daquela que tão bem dele cuidou.

* * *

De alhos para bugalhos. Voltei a estudar. Tudo bonitinho, como de ver. Apostila, pasta nova, caneta, e a namorada indo se despedir de mim na porta de casa. É. Estudar até que pode ser bastante agradável.

* * *

Ontem, numa escapada básica dos estudos, acabei indo parar na escadaria, onde encontrei o Parazitta. Me ofereceram um copinho de cachaça, e recusei. Ofereceram de novo, e de novo. Lá pela quinta, topei. Cenas bizarras, como a menina que me pediu aulas de inglês. Traduzi três ou quatro frasesinhas para ela, como "God is real, but is in heaven", e expliquei a diferença de sky/heaven e o contexto da frase. Por fim, me pediu que verificasse uma frase que ela mesma havia traduzido, com o dicionário do lado: "Himself to love signify to suffer, no wish more to love you". Li a frase umas três vezes tentando entender melhor... "Ele mesmo para amar significa para sofrer, sem mais desejo de amar você" foi a melhor tentativa. Então ela me mostrou a frase original e eu fiquei rindo uns quinze minutos: "Se amar significa sofrer, não quero mais amar você".

- Porque tás rindo? Eu procurei no dicionário....

* * *

A mesma menina, Jacqueline, pouco tempo depois estava sentada num canto, emburrada, enquanto três ou quatro bêbados tentavam segurar o seu namorado, ainda mais bêbado, que chorava, o nariz escorria até o queixo, e gritava que alguém tinha batido nele.

* * *

Cheguei em casa, meio torto, ensaiando a historinha: "Saí na última aula, encontrei o parazitta, comecei a beber, tentei te ligar, mas meu celular estava sem bateria". "É. Tá perfeito. Resume direitinho a coisa toda".
Não adiantou. Cheguei em casa e tomei esporro por ter bebido sem a patroa. Pra compensar meu delito, deixei ela abrir a garrafa de Johnnie Walker.

Blogue em greve absoluta até que surjam comentários

Porra! e eu lá sou obrigado a saber que Rogério Flausino é vocalista do Jota Quest e que Samuel rosa é do Skank? Eu não curto (aliás, pouco suporto!) nenhuma das duas bandas. Então, se eu erro o nome do irmão do Sideral, é um erro justificável.
De qualquer modo, tá arrumado o post.

Liberdade de ir e vir, nos garante a constituição brasileira e o estatuto dos direitos humanos. Se não me engano.
Mas nada falam sobre pessoas inconvenientes.

O Ladrão de Camas

Mais uma de gente famosa. Essa foi na época do Subway, quando rolou show da Elroy. Pra variar, me jogaram pra portaria. Aproveitei enquanto o show não começava (e a escadaria ainda estava relativamente vazia) pra tomar uma cerveja e bater um papo com o Rafael. No meio de uma piada, um moleque de cabelo comprido todo envergonhado se aproximou de mansinho e ficou escutando a conversa. De repente ele se manifestou:

- Anh... Tu não é o Rafael?
- Sou sim.
- Tu toca no Planet Hemp, né?
- Arram...
- Cara, que massa! O som de vocês é muito foda! Bla Bla Bla (insere-se aqui os comentários habituais de fãs pentelhos, incluindo o obrigatório pedido de autógrafo).

O tal moleque foi embora todo feliz, provavelmente foi correndo contar pros amigos que tinha apertado a mão do ídolo. Tomei mais um gole de cerveja e olhei pro Rafael, que parecia meio aturdido.

- Isso acontece muito?
- De vez em quando.

Fim de noite, todo mundo bêbado e quebrado, tive de fechar o caixa e dar uma limpada superficial no bar. Quando achei que ia poder descansar, o dia já nascido, me dirigi ao estúdio (onde improvisava minha cama na poltrona do Walério) e dei de cara com uma bunda gigante e uma moita de dreadlocks ocupando o meu lugar. Tive de ir dormir no hall do bar, passando frio, com as costas doendo, e ainda tendo de aturar os roncos do desgraçado.
É, minha gente. Como poderia dizer um dia meu antigo professor de história:

- Gente famosa também peida, arrota e tem dor de dente.

Rogério Flausino é um mané

Diz a minha irmã que o Rogério Flausino é um mané completo. Ela deve saber, afinal vive cruzando com o cara (meu cunhado toca na banda do irmão do cara). Segundo ela, ele tem essa coisa de achar que é amigo de todo mundo, por ser famoso. Sai por aí cumprimentando todo mundo, dando uma de amigão, como se conhecesse o fulano desde que nasceu. Pois um dia ele apareceu na casa de não sei quem, e minha irmã estava lá.

- E aí, querida? Tudo bem contigo?

Minha irmã, pouco filha da puta que é (filhadaputice é de família, do lado do meu pai), fingiu que nunca tinha visto o mané na vida.

- Quem é você? Ah... Tu é o irmão do Sideral, né?
- Isso!

O sujeito abriu aquela cara de "legal, fui reconhecido, eu sou o máximo!".

- Mas... Tu é o mais velho ou o mais novo?

Vale lembrar que o tal irmão mais velho é cantor sertanejo. Ele não ficou lá muito feliz de ser confundido assim... ^_^


 

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