1 - Pra começar, um detalhe bastante simples, mas que muitos esquecem. Dinheiro, por essas bandas, só é verde se for nota de um real. Portanto, ao fazer transações entre policiais corruptos e traficantes, por exemplo, faça o favor de pintar o dinheiro de azul ou, no mínimo, amarelo. Esse lance de fazer tudo em dólar é clichê demais.
2 - Se você conhece bastante sobre quadrinhos, deve saber que o uniforme do Super-Homem foi criado em homenagem aos lutadores de circo (se não sabia, matei a sua curiosidade). A estrutura dos quadrinhos que conhecemos hoje vem de uma série de outras influências, como os "pulps" e as "óperas espaciais". Portanto, é compreensível que os heróis gringos tenham super-poderes que só a ciência explica (de uma forma nem sempre convincente), uniformes colantes e coloridos, e combatam o crime somente pelo orgulho em se fazer justiça. No Brasil, podemos lembrar de influências similares. Ao invés dos lutadores de circo, temos o telecatch. Ao invés das óperas espaciais, temos os quadrinhos de terror e o "terrir". E ao invés dos "pulps", temos as fotonovelas e os catecismos. Portanto, antes de criar um personagem super-musculoso com a cueca por cima das calças e que solta raios dos olhos, eu sugeriria uma roupa chamativa e mal acomodada no corpo, com as costuras aparecendo; quem sabe mordido por um vampiro ou possuído por um demônio.
3 - Muitos acreditam que os heróis nacionais, em sua totalidade, são cópias deslavadas dos gringos. Estes, não sabem do que falam. Muito antes de Jessica Jones, da série Alias (do selo Marvel MAX) insistir em dizer que não é uma super-heroína e sair por aí querendo fazer dinheiro como detetive particular, Emir Ribeiro já eliminava os uniformes de sua personagem Velta e cobrava altíssimos preços por seus serviços. Os gringos nos copiaram? É claro que não. Mas este pequeno exemplo mostra que, a maior notoriedade de um, acaba ofuscando a maior criatividade de outro. Casos como esse não são isolados. Vampirella surgiu poucos anos após seu criador ter conhecido Eugenio Colonesse, que já trabalhava com a vampira Mirza. O mesmo Colonesse contava ótimas histórias do Morto do Pântano antes que o Monstro do Pântano desse as caras nas revistas. Gedeone Malagola criou seu personagem Raio Negro calcado no Lanterna Verde, mas criou um conceito de patrulha estelar com muita antecedência aos autores do "copiado". Em 1958 surgia no Brasil o Vigilante Fantasma, um motoqueiro que combatia criminosos tendo como arma uma corrente. Já em 1968, quem dava as caras era o Patrulheiro Fantasma, o espírito de um patrulheiro rodoviário que fazia justiça pelas estradas brasileiras em sua moto sobrenatural. somente em meados de 1973 os gringos iriam surgir com o seu Motoqueiro Fantasma.
Por isso, antes de buscar referências em Spawn, Homem-Aranha e X-Men, lembre que em várias ocasiões, "nossos quadrinistas são mais criativos que os outros".
4 - Na década de 60, Stan Lee criou os X-Men como uma forma sutil de falar sobre racismo. Até hoje a rivalidade entre Magneto e Xavier é comparada às diferenças de discurso de Martin Luther King e Malcon X. No Brasil, temos Zumbi, Chico Rei, além da velha frase que diz que aqui as pessoas fingem que não existe preconceito.
5 - Mais além, temos um período negro de nossa história que não equivale a nada na história americana. Chama-se ditadura. "Subversivos", de André Diniz, para mim é tudo o que uma história de "X-Men" seria se fosse criada no Brasil.
6 - "Quadrinho nacional tem peito e bunda demais". E daí? Não é nada diferente do que vemos em nossas televisões todos os dias, nos Big Brothers da vida. Existe uma grande diferença, porém, entre a pura exploração da sexualidade para balancear a falta de conteúdo de uma história em quadrinhos; e uma história bem escrita e empolgante, que utiliza o sexo como recurso secundário para ilustrar realismo e coerência (afinal, não vá me dizer que Super-Homem e Homem-Aranha, heróis casados a anos, não trepam).
7 - Em um país onde o mercado quadrinístico é quase inexistente, fazer sagas intermináveis chega a ser estupidez. No máximo, fará com que o leitor pegue o bonde andando em uma revista que provavelmente não terá continuação, e que fará com que o personagem seja rapidamente esquecido. Se você criou um cenário bem detalhado, personagens ricos em suas descrições, com tramas complexas e bem elaboradas, pelo menos certifique-se de que cada história tenha início meio e fim. Isso garantirá que o leitor se divirta com a revista nas mãos, mesmo que desconheça o universo do personagem. A edição "30 anos de Velta", de Emir Ribeiro, é um bom exemplo disso. É a continuação de uma saga criada por Emir anos antes, e a primeira história da revista já é, por si só, a segunda parte de uma aventura publicada cinco anos antes. No entanto, ele nos presenteia com "flashbacks" e diálogos, além de textos explicativos entre as histórias curtas, que colocam mesmo aqueles que nunca ouviram falar de Velta; completamente sintonizados com as criações do autor.
8 - Lá fora, histórias em quadrinhos são automaticamente ligadas a super-heróis. Aqui, quadrinhos de super-heróis fabricados em território nacional, dificilmente são levados a sério. Reflita estas posturas através de suas histórias. Ao invés de escrever sobre heróis pomposos adorados pelo público, por exemplo, escreva sobre um mundo onde os super-heróis não existem, ou se existem, ninguém sabe de (ou acredita em) sua existência. Neste caso, de quê serviriam identidades secretas, uniformes e máscaras?
9 - Aliás, para que escrever sobre super-heróis? Este é apenas um gênero dos quadrinhos, e não sua grande identidade. Nada impede que você escreva sobre homens voadores e alienígenas justiceiros, e ainda assim mantenha uma identidade brasileira em suas histórias. Mas nada impede também que você ultrapasse essas definições e escreva sobre policiais, cangaceiros, revolucionários, estudantes, etecetera.
10 - Na hora da escolha dos nomes, Paulo, Pedro e Bruno são melhores que Michael, Bruce e Jack. Ao invés de Nova York, ambiente sua história em São Paulo (que você pode visitar após uma viagem de ônibus ou simplesmente buscar referências de prédios e cenários pela internet) ou em sua própria cidade natal. O que faz de Los Angeles tão melhor que São Francisco do Sul para que um ser super-poderosos surja em uma e não na outra?
11 - Origens bem detalhadas são apreciadas pelos leitores. Dizer que "o personagem é assim, porque nasceu assim" demonstra uma grande falta de criatividade e preguiça em se pensar em coisa melhor, numa época em que os quadrinistas se acostumaram demais a dizer que todos são "mutantes". Ser picado por uma barata trangênica também não é um exemplo de grande originalidade. Lembre que os leitores são menos ingênuos hoje que a quarenta anos atrás, e pequenos acidentes não convencem mais para explicar grandes poderes. Por exemplo, um personagem como o Hulk, se criado no Brasil, poderia ser um funcionário ocioso de uma usina nuclear que, afetado por um vazamento de radiatividade, tornaria-se um monstro cancerígeno ambulante, cuja explicação da grande força (não tão grande quanto a do Hulk gringo) seria o descontrole emocional intenso, e da resistência sobre-humana seria a diminuição da sensibilidade à dor, causada pelo acidente.
12 - Por fim, lembre-se que a HQ nacional tem uma longa estrada e muita coisa boa foi escrita e desenhada através dos anos. Watchmen e Cavaleiro das Trevas são ótimas referências, sem dúvida; mas mestres como Lourenço Mutarelli, Flavio Collin e mesmo "iniciantes" como Gabriel Bá e Fábio Moon certamente são escolhas melhores no quesito "brasilidade".
Índices: Quadrinhos
Mindfuckeando...
Entro no #trails, depois de séculos sem sequer abrir o IRC, e logo de cara me deparo com um fulaninho fazendo perguntas estranhas ao JC sobre totens de golfinho e etecetera. De repente, JC cai, fico na dúvida se caiu de verdade ou fugiu do mané. Quando o mesmo mané resolve vir conversar comigo, a resposta se torna óbvia...
Malditos_VeNuSiAnOs> PrEsUnToW
Malditos_VeNuSiAnOs> ae cara
Malditos_VeNuSiAnOs> vc joga RPG?
PrEsUnToW> Rpag?
PrEsUnToW> q q eh isso?
Malditos_VeNuSiAnOs> dexa pra la
PrEsUnToW> Rapazes procuram garotas?
PrEsUnToW> Se for, jogo sim :P
Malditos_VeNuSiAnOs> vlws mesmo assim
Malditos_VeNuSiAnOs> aUHAuhaUHAuh
Malditos_VeNuSiAnOs> Role Playing Game
Malditos_VeNuSiAnOs> ^^
PrEsUnToW> reeducação postural global?
PrEsUnToW> anh...
PX> rola para gays
PrEsUnToW> tipo videogame?
Malditos_VeNuSiAnOs> eh, soh q sme vidiogame
Malditos_VeNuSiAnOs> ^^
Malditos_VeNuSiAnOs> *sem
PrEsUnToW> final fantasy e etc
PrEsUnToW> acho maneiro
PrEsUnToW> como SEM videogame?
PrEsUnToW> no pc?
PX> lol
Malditos_VeNuSiAnOs> naum
Malditos_VeNuSiAnOs> papel
Malditos_VeNuSiAnOs> e dados
PrEsUnToW> ????
Malditos_VeNuSiAnOs> mais ou menos assim
Malditos_VeNuSiAnOs> o mestre do jogo
PrEsUnToW> isso ae tá me parecendo mais é banco imobiliário, mano
Malditos_VeNuSiAnOs> haha
Malditos_VeNuSiAnOs> sem comparações
Malditos_VeNuSiAnOs> tipow asism
PrEsUnToW> hmm
Malditos_VeNuSiAnOs> eh tipow um narrador
Malditos_VeNuSiAnOs> q conta a histproia
Malditos_VeNuSiAnOs> os jogaodres
Malditos_VeNuSiAnOs> representam personagens
Malditos_VeNuSiAnOs> na historia
Malditos_VeNuSiAnOs> exemplo
Malditos_VeNuSiAnOs> aventura policial
Malditos_VeNuSiAnOs> eu sou o mestre
Malditos_VeNuSiAnOs> vc um jogador policia
Malditos_VeNuSiAnOs> vc um jogador policial
Malditos_VeNuSiAnOs> eu digo q un ladrão vaio na sua direção
PrEsUnToW> ah... não é aquela seita dos caras que mataram a minina lá?
Malditos_VeNuSiAnOs> vc fala oq ker fazer
Malditos_VeNuSiAnOs> atirar onde
Malditos_VeNuSiAnOs> ou correr
Malditos_VeNuSiAnOs> aUHUHAUHAuhaUHAuha
Malditos_VeNuSiAnOs> cara, akilo era um monte de psicopata q usaram o nome do rpg pra matar
PrEsUnToW> o tal jogo que faz as pessoas adorarem o diabo?
PrEsUnToW> to fora disso, meu
Malditos_VeNuSiAnOs> nen
PrEsUnToW> deus é pai
Malditos_VeNuSiAnOs> nun eh isso nom
Malditos_VeNuSiAnOs> claor q eh
Malditos_VeNuSiAnOs> sou católico mano
Malditos_VeNuSiAnOs> soh idiota, cai nessas
Malditos_VeNuSiAnOs> rpg nesse ponto
Malditos_VeNuSiAnOs> eh como filmes saka?
Malditos_VeNuSiAnOs> soh os com tendencias psicopatas saem matando
Malditos_VeNuSiAnOs> o msm psicopata q mata por rpg, mata por filmes
PrEsUnToW> o pastor lá da minha area falou pra não se meter com esses tecos não, que é coisa do demo
Malditos_VeNuSiAnOs> mas de todo caso vlw's pela compreenção
Malditos_VeNuSiAnOs> PrEsUnToW
Malditos_VeNuSiAnOs> issu eh parte ignorância d ekem nun conhece o assunto
Malditos_VeNuSiAnOs> RPG tem suas msgs subliminar como todo e qqer programa de TV digamos asism
Malditos_VeNuSiAnOs> eh un jogo qqer como todo outro
Malditos_VeNuSiAnOs> tem os do "mal" ou cosia assim
PrEsUnToW> tu tá chamando o pastor de mentiroso? Pos! Semana passada vi ele tirar umas coisas ruins da cunhada do meu pai... coisa louca
Malditos_VeNuSiAnOs> mas tme os normais
Malditos_VeNuSiAnOs> PrEsUnToW
Malditos_VeNuSiAnOs> nun to chamando ele de mentiroso, to dizendo q ele nun tah familiarizado com o assunto
Malditos_VeNuSiAnOs> rapaz, sou crismado
Malditos_VeNuSiAnOs> rezo todas as noites
Malditos_VeNuSiAnOs> nen mentir sou capaz
Malditos_VeNuSiAnOs> nun péco
Malditos_VeNuSiAnOs> as evzes erro
Malditos_VeNuSiAnOs> como todo ser humano q se preze
Malditos_VeNuSiAnOs> mas jogo rpg
Malditos_VeNuSiAnOs> riu mt
PrEsUnToW> mas fica jogando essas coisas estranhas... tu vai pro inferno, rapaz!
Malditos_VeNuSiAnOs> ^^
Malditos_VeNuSiAnOs> nen cara
Malditos_VeNuSiAnOs> eh dificil explikar pela net
Malditos_VeNuSiAnOs> então eskece
PrEsUnToW> não adianta ficar rezando todo dia se não fizer as cousa direitinho, como deus manda
PrEsUnToW> e deus não gosta que jogue essas coisas aí do demônio
Malditos_VeNuSiAnOs> nun eh coisa do demônio rapax
Malditos_VeNuSiAnOs> existem milhares de jogos diferentes
PrEsUnToW> o pastor falo q é
Malditos_VeNuSiAnOs> como q no jogo
Malditos_VeNuSiAnOs> vc eh um policial
Malditos_VeNuSiAnOs> e vc temq proteger a cidade
PrEsUnToW> mas se não tem videogame, não tem nada, só papel, como q tu se transforma nas coisas? Isso é coisa de magia negra. Valha-me deus
Malditos_VeNuSiAnOs> meu
Malditos_VeNuSiAnOs> eh imaginação
Malditos_VeNuSiAnOs> msm q ler un livro
PrEsUnToW> coisa de gente dograda, q fica tendo alusião
Malditos_VeNuSiAnOs> eu imagino q sou um policial
Malditos_VeNuSiAnOs> q maneh ilusão rapax
Malditos_VeNuSiAnOs> vc axa q ler livros eh coisa de drogado e do demônio
Malditos_VeNuSiAnOs> azar o seu
PrEsUnToW> pah... saca só mano... eu podia ficar aqui tentando entender esses treco demoníaco q tu tah falando, mas tô atrasado pra igreja
Malditos_VeNuSiAnOs> vai nessa
PrEsUnToW> depois nós se fala ae pelas quebrada
Malditos_VeNuSiAnOs> igreja salva tb
Malditos_VeNuSiAnOs> x}~
Malditos_VeNuSiAnOs> alias
PrEsUnToW> [PX] quem é o newba? :P
Malditos_VeNuSiAnOs> nun eh a igreja q salva, eh a fé e os ensinamenos de Deus
Malditos_VeNuSiAnOs> e nun eh coisa do demônio
Malditos_VeNuSiAnOs> mas vejo cmo kiser
Malditos_VeNuSiAnOs> lovre arbítrio
Malditos_VeNuSiAnOs> ^^
Malditos_VeNuSiAnOs> ops
Malditos_VeNuSiAnOs> *livre arbítrio
PX> PrEsUnToW:
PX> nem imagino
PX> mas eu to rindo horrores
PX> pois eu falei a mesma coisa sobre o pastor
PX> antes
Malditos_VeNuSiAnOs> eu notei XP
Malditos_VeNuSiAnOs> PX
Malditos_VeNuSiAnOs> eh uma opção sua
Malditos_VeNuSiAnOs> mas acho ignorância, pq eh un jogo como todo e qualquer
PrEsUnToW> alguém salva o log aí pra eu rir depois, q agora tô indo pagar umas contas pra patroa, e sei lá o q pode acontecer com esse pc maluco nesse meio tempo :P
[20:04] * PrEsUnToW está away razão: RPG é coisa do demo, ae! UAHuahUAHuahUHA
Pouco tempo depois, PX me manda o log do canal até o momento em que eu entrei, por e-mail. Vê se a vida não é mesmo uma eterna repetição? :)
Números
Cinco histórias, cinco desenhistas, um roteirista empolgado.
Cento e trinta páginas, quatro reportagens, duas biografias.
Dois filhos, um antigo inimigo, um novo vilão motivado.
Quatro heróis.
aguardem...
Ando um tanto quanto obcecado pelo selo Marvel MAX, talvez pelo fato de ir em busca de influências recentes para o trabalho que estamos querendo fazer na cooperativa. Já havia lido Alias, boa parte da série, e agora estou em busca de Cage, de tanto ouvir os elogios do Erick. Os próximos da lista, no entanto, serão Rawhide Kid, na tal versão que dizem que o personagem "sai do armário"; e The Hood. Por enquanto estou no segundo número de The Eternal, que pode ser re-entitulado de "os bastidores da criação da humanidade". Durante anos a Marvel insistiu num ponto específico sobre a criação do homo sapiens, em que os deuses alienígenas chamados Celestiais haviam vindo à Terra, avaliado o potencial dos seres que aqui viviam, e então feito-os pular um passo na escala evolutiva. Na mini-série Terra X (antes ainda de Universo X e Paraíso X, duas viagens completamente desnecessárias) foram ainda mais longe, transformando o planeta num hospedeiro para um Celestial em formação, e os humanos (assim como mutantes e demais super-heróis) em anticorpos que protegeriam esse "Deus bebê". Em The Eternal, essa surrealidade continua. Na série, o escritor Chuck Austen e o desenhista Kev Warren contam a história dos Eternos (conhecidos entre os leitores da Marvel principalmente por causa da personagem Sersi, integrante dos Vingadores), uma raça imortal que, escravizada pelos Celestiais, tem a missão de extrair os recursos naturais de diversos planetas galáxia afora, evoluindo seus nativos para transformar os mesmos em mão de obra obediente. Ao chegarem na Terra,
Ikaeden e Kurassus, os dois mais altos em comando, surpreendem-se ao evoluir uma fêmea nativa, e perceber o quanto ela se parecia com as mulheres de seu povo (exterminadas pelos Celestiais para que não se procriassem). Kurassus, um personagem frio, cruel, mesquinho, e com desejos sexuais bastante esdrúxulos; é o primeiro a tomar uma das fêmeas para si, mas logo todos os Eternos entregam-se ao prazer e à luxúria junto de suas companheiras primitivas. Isso faz com que seus comandantes fiquem cada vez mais preocupados com a possível ira dos Celestiais, à medida que vão surgindo mais e mais humanas (chamadas por eles de deviantes) grávidas. A lei é bastante clara, e uma gravidez é imediatamente extirpada (aparentemente, junto com a genitora), e os problemas começam a se tornar realmente claros quando Ikaeden permite que sua companheira viva, após ela ter quebrado a lei dos Eternos e administrado nela própria um processo que lhe permitiria pensar e falar como os Eternos, assim como confessar seu amor por Ikaeden, e finalmente se entregar a ele. Os artifícios são os habituais da série MAX: sexo, nudez, violência, muitas tripas. Austen, no entanto, consegue limitar o uso destes recursos e contar uma história com vários elementos bíblicos, que trata, até onde eu posso supor, dos últimos momentos de queda de um povo antigo. A arte de Warren é belíssima, muito bem finalizada pelo nanquim de Simon Coleby e as cores de Dan Brown. As cenas de nudez são até bastante comportadas, sem parecerem desnecessárias, e as cenas de sexo realmente convencem. A violência está lá, logo nas primeiras páginas, mas aos poucos vai sendo aliviada, dando maior espaço à interação entre os personagens e o esclarecimento da origem dos Eternos. Troféu jóinha pras referências ao antigo egito e interpretação das constelações pelos "deviantes".
Fury
Mais uma do Ennis. Esse é um cara que tem muitos defensores, e eu não compreendo bem o porquê. O protagonista é quase sempre um psicopata sarcástico e todos à sua volta completos perdedores, e há sempre pelo menos um antagonista gigantesco e deformado. Entre Fury e a fase do Justiceiro escrita por Ennis, eu não percebi muita diferença. As duas abusam do sangue e matança como artifícios para esconder a fraca narrativa, e as duas utilizam-se de estereótipos cansativos para falarem de guerra (sinceramente, me parece que Ennis tem uma certa obsessão por repúblicas tropicais e ditatoriais de terceiro mundo). O "velho sádico" (numa óbvia alusão ao "velho safado" Charles Bukowski) mostra-se cada vez mais, aos meus olhos, um escritor pouco criativo e que insiste em bater sempre na mesma tecla, e exemplo do péssimo Thor: Vikings que mais parece um remake não-censurado de Mortal Kombat do que realmente uma história em quadrinhos. Qual a diferença entre quadrinho adulto e ingênuo, alguém perguntou uma vez sobre as novas linhas de publicação da Marvel. Eu vou mais além e pergunto: qual o motivo de inserir elementos "adultos" como sexo, violência, palavreado forte, e etecera; numa história tão infame que somente crianças se interessariam por lê-la? E os traços de Darrick Robertson também não ajudam a acrescentar nada de novo ao título, ou qualquer coisa que se tenha visto nas bancas nos últimos tempos.
U.S. War Machine
Voltando a falar de Chuck Austen, entãoo, um autor bastante controverso mas que está aos poucos entrando na minha preferência. Após uma busca rápida no site Omelete, atrás de outras notícias sobre o cara, só encontrei duas menções à série U.S. War Machine, uma de Fabricio Grellet, anunciando o lançamento do título em 2001, e outra de Rodrigo Monteiro, anunciando a sua continuação, War Machine 2.0. Em ambos os casos, a impressão que passa é que os autores das resenhas sequer leram quaisquer das revistas, não se importaram em buscar quem leu, e insistiram em falar mal do mesmo jeito. Não que qualquer uma das duas séries seja uma obra prima digna de prêmios internacionais, mas os comentários dos "cozinheiros" foram ácidos demais em textos que deixaram óbvia a ignorância dos dois quanto às séries. War Machine é focada em Jim Rodhes, antigo guarda-costas de Tony Stark (o Homem de Ferro). Correndo fora da cronologia oficial do universo marvel, a história começa com Tony Stark rompendo todos os seus contratos com o governo, e informando à imprensa que nunca mais desenvolverá armas para ninguém (devido à violência causada num incidente na Latveria, terra do Doutor Destino), e manterá sua tecnologia para uso pessoal e exclusivo. Logo em seguida, a mesma armadura que ele havia prometido que jamais seria vista (a chamada Máquina de Guerra) se envolve num incidente terrorista transmitido ao vivo em rede nacional, que culmina com a morte de sete pessoas (quatro inocentes, dois terroristas e uma refém). Rhodey, que vestia a armadura, é demitido mas arruma logo um novo emprego: como chefe do departamento de Operações Especiais da organização de espionagem S.H.I.E.L.D., que está produzindo uma nova versão da armadura, com tecnologia roubada de Tony Stark. A série é obviamente caucada no mangá, tanto nos traços limpos e simples em preto e branco, atolados de retículas e cenas detalhadas com vários elementos complexos (como a múltipla colisão de carros mostrada na primeira edição); quanto no dinamismo da narrativa, açãoo rápida e até na temática. Infelizmente, no decorrer da série, Austen vai aos poucos substituindo este estilo "mangalóide" por uma arte 3D apressada, que piora a cada edição, até chegar ao abuso da sua continuação, a mini-série War Machine 2.0, totalmente ilustrada por imagens tridimensionais de Christian Moore.
Austen cria algumas confusões ao longo de sua narrativa, e quase gagueija em sua insistência de falar (e mal, o que lhe rendeu alguns puxões de orelha na mídia especializada) sobre racismo e preconceito. Cria-se uma espécie de "rivalidade saudável" entre Rhodes, um negro tentando se ajustar, e Parnell, um idealista pentelho que acusa o amigo de "trair a própria raça" o tempo todo. Tirando-se estes detalhes, é possível rir bastante e aproveitar os conceitos criados, como Darkhawk, um ciborgue preso numa fantasia virtual que é uma cópia deslavada de um Eva (de Evangellion, pra quem não conhece) e é protagonistas de algumas das piadas mais bem sacadas.
Agora, quanto a U.S. War Machine 2.0, eu não recomendo de maneira alguma. Não só pela nauseante arte 3D, mas pela inutilidade da história. Tony stark vê a unidade especial da S.H.I.E.L.D. estampada nos jornais e decide tomar sua tecnologia de volta, à força. Em meio a tudo isso, os War Machines e o Capitão América (na verdade Bucky, sob a máscara) deixam escapar pelos dedos terroristas de posse de bombas nucleares. Tony surge no pior momento, quando os "heróis" estão saindo para impedir um holocausto, e da segunda para a terceira edição, sem explicação alguma, os dois grupos se aliam. Um desperdício de páginas que termina numa lição de moral e um sentimentalismo bestas.
Índices: Quadrinhos
Mudando de assunto...
800 x 600 1024 x 768
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Ligo para minha sogra, atende minha cunhada, com aquele grande carinho e educação, com o qual estamos acostumados:
- Tu é um filho da puta! Eu não acredito que tu pegou meu livro!
- Anh... Tá, tá! Depois eu falo contigo. Chama tua mãe que eu tô com pressa.
Célia tá doente, e eu precisava do nome de um remédio. Minha sogra repetiu o nome umas seis vezes, até soletrou, e nada de eu entender o que a mulher falava. Resolvi arriscar um conselho farmacêutico, e a moça da Fusesc acabou me indicando um antiséptico sei lá das quantas. O resultado do coquetel de remédios que venho administrando nela poderia ser melhor, se ela parasse de colocar tudo pra fora de quinze em quinze minutos.
Cara, tô começando a ficar bem preocupado com essa menina...
Bora dar uma de enfermeiro!
Semana passada me baixou uma luz. Sentei à mesa da sala e comecei a rabiscar sem parar. Devo ter feito uns oito ou mais uniformes diferentes para a Mulher de Lua. Desenhei Mustafá e O Inquisidor, futuros aliados. Desenhei Penélope, fiel ajudante da nossa heroína (por enquanto só minha, na verdade) e até arrisquei umas duas tentativas num cachorro lunar.
Improvisei uma mesa de luz, colocando um abajur debaixo do tampo de vidro da mesa de jantar, e o resultado saiu melhor do que eu esperava. Isso me permitiu ser mais fiel ao traço "Bruce Timm" que resolvi (por conveniência e até um pouco de vício, antes de perceber o quanto se encaixava na história) dar aos personagens. Me deu também a oportunidade de trabahar melhor nas cores e nas roupas, sem me preocupar tanto com falhas de anatomia (que, tanto nesse caso quanto num desenho vetorial, haveria uma culpa maior do desenho original do que da minha mão, por assim dizer).
Tudo o que eu queria era correr ao scanner e jogar todos os rascunhos de uma só vez para o Alessandro, Emir, WC e quem estivesse passando pela lista Ab_Velta. Pra minha infelicidade, foi aí que começaram os problemas.
No meio do scanning, tudo ficou preto. Mese daqui, mexe de lá, e nada do scanner voltar a responder. Um par de reinicializações e apertos na porta de impressora depois, e o computador começou a travar. Travou umas quatro vezes antes de começar a reiniciar sozinho. Reiniciou umascinco vezes antes de começar a teimar em não ligar. Teimou umas três vezes antes da minha conexão sair pra tomar um cafézinho e eu passar quase a semana toda sem internet.
E era aquele martírio: ligar e ter de aguentar o modo de segurança. Reiniciar em modo normal e esperar dois anos pelo scandisk. Chutar a parede quando o computador reiniciava antes de abrir o windows. Tentar descobrir o que significava os apitos da torre quando ela resolvia não ligar, e por que cada vez era um apito diferente. Entrar em desespero quando nem apito ela dava.
Ontem pela manhã resolvi tentar de novo. Havia passado boa parte da sexta-feira e o sábado inteiro sem nem chegar perto desse monstrinho que por pouco não voou janela abaixo. Ligou. Não travou. A internet voltou. No fundo acho que devia ser estresse. Ele só precisava de um pouco de descanso. O scanner ainda não funciona, mas eu é que não me arrisco a mexer nele de novo depois de todo esse sufoco.
* * *
Descobri que o Eudes postou duas imagens d'Os Marcianos no Rapadura enquanto eu estava naufragado. Legal isso. O Eudes tem um público diário bastante cativo, e isso significa que uma meia dúzia de gatos pingados extra passou por aqui essa semana. Um deles foi o Paulo Antunes, que descobri que colaborou com a Mosh. O cara tem um traço muito maneiro, bem puxado pro cômico, mas sem muitos exageros que tenho visto por aí nos últimos tempos. Paulo, tô procurando desenhistas pr'Os Marcianos. Se tiver interessado, é só mandar um e-mail. O pagamento é o pior possível, mas a troca de experiências é boa e a equipe é das melhores (tô falando dos outros desenhistas, mesmo).
* * *
Como a idéia a princípio era publicar RA junto com Os Marcianos, fui atrás de quem talvez pudesse me tirar umas dúvidas. Mandei um e-mail pro Lalo perguntando se dava pra fazer o contato com os caras, e se ele achava que eles iam espernear muito. A resposta a essa última pergunta não foi das mais incentivadoras (apesar de ser apenas a opinião deles. Ainda não fiz o contato com os doutores de lá), porém o e-mail voltou com ótimas notícias. Parece que o ESC ganhou uma versão 2.0 e levou de brinde um carro pra comemorar a maioridade. Esse carro é a editora Mepaba, fundada pelo que pude notar, pelo Lalo e pela Mai, além de um terceiro nerd não citado. A idéia é publicar quadrinhos RPG, o pacote completo, e o Lalo já me deixou com as orelhas em pé de curiosidade quando falou do nosso antigo projeto, o HQ. Parece que dessa vez sai. Quando sair algo mais concreto, vou pedir ilustrações pra todo o povo das listas. Sou cara de pau, mesmo... E daí?
* * *
A Célia tem certos problemas pra pegar no sono. Constantemente ela me pede que conte números primos em voz alta ou conte alguma história de ninar. "Você vai ser um ótimo pai pros meus sobrinhos", disse minha cunhada. Talvez pudesse ser... Não fosse o fato de que sou absurdamente relutante nessa minha nova função. Quando me curvo à insistência daquela a quem dói dizer não, me atrapalho nas palavras, esqueço da continuidade, peço desculpas e digo que depois vou ler a história pra me lembrar melhor dos detalhes. Uma ótima saída é a leitura. O primeiro que li para ela foi Irmão Grim, Irmão Grim, e comecei a narrativa pelo telefone, quando eu estava longe demais pra botá-la pra dormir. Depois, durante uma semana ou mais, li Ali Babá e Os Quarenta Ladrões. Tentei ler uns dois contos que achei na internet, mas não obtive o mesmo resultado. Acho que vou dar uma geral pelos brechós procurando alguma daquelas coleções ilustradas, que vinham com Pinóquio, Pequena Sereia, etecetera.
* * *
Esta última semana tentamos algo diferente, e comecei a ler Merrick para ela. Ontem ela se virou para mim e admitiu:
- Isso tá um porre!
- Mas... Você que pediu pra eu ler esse...
- Eu sei, mas... Essa mulher é muito chata.
- Tudo bem. Ó! Fechei o livro, nem marquei a página em que a gente estava.
É. Anne Rice definitivamente não é a melhor opção de história de ninar.
* * *
Depois que eu colocava o livro na cabeceira e via Célia mergulhar no sono profundo, corria para o outro quarto e acendia a luz. Esses pequenos momentos depois que ela dorme, ou enquanto ela trabalha, são os poucos em que posso ler algum livro sossegado, com calma.
Não que a presença da Célia me incomode, mas ela exige total atenção quando está comigo. Eu sou um grude como ela, talvez até pior, mas ano passado não li nenhum livro por inteiro (tirando Justiceiros, sumariamente afanado do ex-namorado dela) devido a essa dedicação incondicional, e eu simplesmente piro se ficar muito tempo sem ler um bom livro. No momento estou lendo Memnoch. Passei uns dois meses vendo aquele livro permanecer estático sobre a mesa do telefone, na casa da Célia, e resolvi surrupiá-lo por uma semana. Quando a Célia for passar em casa de novo, vou pedir pra delicadamente deixar no mesmo lugar onde estava antes. Aposto que ninguém irá notar.
Livrinho bonzinho. Gostoso matar a saudade dos personagens das crônicas vampirescas. Lestat, no entanto, está mais babaca do que nunca. Chora o tempo todo e só falta gritar "Bate e me chama de Bete". É daquelas histórias que você tem de filtrar muito pra poder dizer depois que gostou. Roger é bom. Dora é bom. David é bom. Lestat tentando se concentrar em Dora enquanto pensava em lamber sua boceta menstruada definitivamente não é bom. Lestat apertar a mão de Deus e chupar o sangue de Cristo é péssimo. Bom, só pra dar risadas mesmo. Tenho feito resumos diários para a Célia, a medida que avanço na narrativa. Isso tem substituido as histórias de ninar, em algumas ocasiões. O último resumo causou reações divertidas.
- Não adianta, fofinho. Essa mulher tava muito chapada quando escreveu esse livro.
- Ela já nasceu chapada, amor.
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Minha cunhada lê o blogue. Será que ela vai ficar indignada quando descobrir que o livro está comigo?
Enfim consegui falar com o meu tio. Tôu arrastando os dois, ele e minha tia, pra festinha do Averon hoje. Noite promete ser interessante.
A misteriosa Mulher de Lua
A Mulher De Lua, sozinha. Tirando os micro-heroes que fiz para ilustrar a primeira versão do roteiro, este é o primeiro desenho que fiz da personagem. A pose é de um desenho da Batgirl, do Bruce Timm.
A idéia desse desenho era mostrar todos os membros dos Marcianos numa situação mais... anh... Íntima. Mas não tive paciência de procurar bons desenhos para usar como base para os personagens masculinos, e me limitei às moças. Ambas as posições foram tiradas de desenhos do Bruce Timm.
A Mulher de Lua novamente, dessa vez mais "confortável". Queria fazer algo parecido com o papel de parede que fiz do Homem Lua, mas o resultado não saiu o esperado. Acho que a ausência da roupa vermelha deixou a imagem meio morta, opaca. Mais uma vez, o desenho original é do Bruce Timm.
Às vezes um livro marca você. Se você levou mais de um ano, por exemplo, para lê-lo, é capaz que isso ocorra. Se você começou a lê-lo na época em que começava um relacionamento novo, e não conseguiu terminá-lo pois estava maravilhado com este relacionamento tão perfeito, e quase não tinha tempo para abrir o livro, de tão absorvido que estava am fazer companhia à pessoa amada; então é provável que esse livro marque você.
Se você foi o único da sua família a lê-lo sem achar a narrativa difícil, a trama complicada, ou o prólogo cansativo; é quase certo que ele marque você.
Agora, se você vira a última página e não consegue acreditar que levou tanto tempo para ler uma história tão boa, e corre para a internet pesquisar sobre as mil-e-uma referências usadas pelo autor, além de desperdiçar linhas e mais linhas na sua página pessoal elogiando o livro e copiando trechos dele; definitivamente este livro marcou você.